É um ônibus pequeno e laranja que me leva cada quinta-feira do Centro para o bairro CIC - Cidade Industrial de Curitiba. O n°22, o Gabineto. Eu desço um ponto antes da escola. Passo então ver o edifício e duas quadras ao lado, uma com areia, e a outra com grama. São nove horas da manhã. Bem-vindo a escola Anita Merhy Gaertner! Em frente ao portão, encontro os dois professores do Futebol de Rua que realizarão as atividades. As crianças chegaram um pouco mais cedo e participam de uma sessão de leitura. Eu tenho um carinho especial com essa escola. Quando cheguei em Curitiba, foi a primeira onde trabalhei. Não posso esquecer esse primeiro dia nem a primeira hora. Fui rapidamente cercado por dezenas de meninos e meninas, rostos adoráveis, sorridentes, mas sobretudo bem intrigados com essa criatura gigante que falava um português estranho. Respondi a bastantes perguntas, sobre minha viagem, meu país, minha vida alí. A gente pode ter seis ou sete anos e saber acolher alguém.

No Instituto Futebol de Rua, as aulas iniciam com as atividades de formação humana. Hoje a professora realizou um jogo de valores éticos. Para saber o que os alunos estão aprendendo com suas famílias em casa. Depois, no segundo momento a formação esportiva. Essa acontece no recreio da escola ou no campo ao lado. A gente começa com esse tipo de exercícios: saltar nos arcos, correr em torno de cones, passar a bola para seu vizinho. Mas essa quinta-feira de manhã, as atividades são mais lúdicas. O campo esta dividido em duas partes e as crianças devem atravessar o mais rápido possível. No meio-campo, tem um guardião, que sou Eu! Meu dever é impedi-los de passar. Fazemos depois um outro jogo. Tem dois times. Cada criança deve buscar um objeto no fundo do campo e trazê-lo de volta. A gente “pega” os adversários para elimina-los. Mas devemos esperar que eles entrem no nosso lado do campo. Entendeu? Tive dificuldade. Então meu time ganhou só uma partida de quatro rodadas!

A recreação chega ao enfim. Como cada criança, é o meu momento preferido. Adivinha o que vamos jogar? Futebol ! Estamos no recreio da escola. Não tem traves, mas tem Neymarzinhos por todo o lado. Começa quatro contra três e depois está dois contra cinco. Meu zagueiro tornou-se ponta-direita, e, quando quero falar com meu goleiro, vejo que agora ele é um volante...para outro time. Perdemos 4-2, achava com certeza que tinha 3-1 para nós...

Depois do almoço, nos vamos na segunda escola Anita Merhy Gaertner, localizada a dez minutos a pé da primeira. Onde estávamos só acolhem crianças de seis e sete anos. A da tarde, todas crianças escolarizadas estão aqui. Agora trabalhamos com crianças de dez a doze anos. O tema da aula de formação humana é o mesmo que o da turma da manhã. Mas o ensinamento varia com a idade das crianças.  A mesma regra se aplica ao esporte. Essa vez, tem mais exercícios de malabarismo e de drible. E sempre acaba com jogos de futebol de rua, três contra três ou quatro contra quatro. Um gol vale um ponto, um drible vale três pontos. As vezes jogo quando falta alguém em um time.

E o dia está terminado. Não o vi passando. O mais emocionante, é de saber que tudo começa aqui. “O futuro do Brasil, são vocês” disse um dia um professor do Futebol de Rua para as crianças. Queria citar aqui as pessoas da escola Anita Merhy Gaertner que ajudam o projeto acontecer: Deborah, Carla, Salete, Dani, Michelle, Karla, Maria, Viviane, Roseli, Tere, Regiane...e desculpar-me com essas que não pude nomear. Vocês também, são parte do futuro do Brasil!

Olivier
Voluntário  no Futebol de Rua


 

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